Credo Atanasiano

Escrito no século IV.

01. A quem quiser ser salvo, é necessário acima de tudo, sustentar a fé católica.


02. A qual, a menos que se preserve perfeita e inviolável, certamente perecerá para sempre.


03. A fé católica é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em unidade.


04. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância.


05. Pois a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito Santo outra.


06. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade.


07. O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo.


08. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.


09. O Pai é incompreensível, o Filho é incompreensível, o Espírito Santo é incompreensível.


10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.


11. Contudo, não há três eternos, mas um eterno.


12. Como não há três incriados ou três incompreensíveis, mas um incriado e um incompreensível.


13. Do mesmo modo, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.


14. Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente.


15. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.


16. Contudo, não há três Deuses, mas um só Deus.


17. Portanto o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é Senhor.


18. Contudo, não há três Senhores, mas um só Senhor.


19. Pois assim como somos compelidos pela verdade cristã a confessar cada pessoa separadamente como Deus e Senhor;


20. Assim também somos proibidos pela fé católica de dizer que há três Deuses ou Senhores.


21. O Pai não foi feito de ninguém, nem criado, nem gerado.


22. O Filho é do Pai somente, nem feito, nem criado, mas gerado.


23. O Espírito Santo é do Pai e do Filho, não feito, nem criado, nem gerado, mas deles procede.


24. Portanto, há um só Pai, não três Pais; um Filho, não três Filhos; um Espírito Santo, não três Espíritos Santos.


25. E nessa Trindade nenhum é primeiro ou último, nenhum é maior ou menor.


26. Mas todas as três pessoas co-eternas e co-iguais;


27. De modo que em tudo o que foi dito acima, deve ser adorada tanto a unidade em Trindade, como a Trindade em unidade.


28. Logo, quem quiser ser salvo deve pensar desse modo com relação à Trindade.


29. Mas também é necessário à salvação eterna que se creia corretamente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo.


30. É, portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é igualmente Deus e homem.


31. Ele é Deus da substância do Pai, eternamente gerado; e homem da substância da sua mãe, nascido no tempo.


32. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de alma racional e carne humana.


33. Igual ao Pai quanto à divindade, menor do que o Pai quanto à humanidade.


34. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois, mas um só Cristo.


35. Um, não pela conversão da divindade em carne, mas por que Deus assumiu a natureza humana.


36. Um, não pela confusão de substância, mas pela unidade da pessoa.


37. Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo.


38. Ele padeceu por nossa salvação, desceu ao inferno, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia.


39. Ascendeu ao céu e está assentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,


40. Donde virá para julgar os vivos e os mortos.


41. Em cuja vinda, todo homem ressuscitará com seus corpos,


41. E prestarão conta de suas obras.


43. Os que fizeram o bem irão para a vida eterna; os que fizeram o mal, para o fogo eterno.


44. Esta é a fé católica, quem não crer nela fiel e firmemente, não poderá ser salvo.

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Texto preparado com base em: Paulo Anglada, Sola Scriptura: A doutrina reformada das Escrituras, 2ª ed. (Ananindeua: Knox Publicações, 2013), p. 207-8.